domingo, 13 de janeiro de 2008

A DEGOLA

Eu gostava de ver. Sentia uma espécie de gozo, que só experimentava quando via o sangue escorrendo pelo pescoço rasgado. O capim ficava salpicado de um vinho forte. As folhas dos eucaliptos, que secas, eram trazidas pelo vento, se borravam de sangue. O brilho que sumia, aos poucos, dos olhos amendoados, arrepiava-me. Eu gostava daquele espetáculo. Não era por mal. Eu não sabia que era um menino mau. Ficava ali, acocorado, bem perto, vendo a ovelha dependurada pela perna. Eu não sabia muito bem o que acontecia, não imaginava que era ela, a vida, que se esvaía. Hoje em dia é bem melhor: além de ver o sangue que escorre, posso, às vezes, sentir a alma saindo dos corpos. Não via isso nas ovelhas: bicho não tem alma...

6 Comments:

Blogger anjo disse...

CC, teu blog tá muito bom!
Além dos maravilhosos textos teus, ele está com uma organização ímpar, em que podemos conhecer tua produção ainda mais. Um trabalho muito bom de divulgação de teus escritos!

abraço grande,
Ítalo.

16 Janeiro, 2008 08:35  
Blogger Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Grande Ítalo!
Obrigado pelas palavras, sempre carinhosas.

Abraços do amigo *CC*

16 Janeiro, 2008 12:38  
Blogger CeciLia disse...

Gosto deste despojamento de censuras de teu texto. Gosto de vir aqui, acordada depois de tempos escuros.
Abraço, aos poucos te leio

Cecilia

16 Janeiro, 2008 15:41  
Blogger osrevni disse...

Belíssimo, CC! De fato, muito gostoso de ler.

16 Janeiro, 2008 15:59  
Blogger Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Cecilia!
Grato pelas palavras. O BALAIO sentia tua falta.

Beijos do *CC*

16 Janeiro, 2008 16:34  
Blogger Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Osrevni!

Obrigado, amigo!

Abraços do *CC*

16 Janeiro, 2008 16:38  

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