A DEGOLA
Eu gostava de ver. Sentia uma espécie de gozo, que só experimentava quando via o sangue escorrendo pelo pescoço rasgado. O capim ficava salpicado de um vinho forte. As folhas dos eucaliptos, que secas, eram trazidas pelo vento, se borravam de sangue. O brilho que sumia, aos poucos, dos olhos amendoados, arrepiava-me. Eu gostava daquele espetáculo. Não era por mal. Eu não sabia que era um menino mau. Ficava ali, acocorado, bem perto, vendo a ovelha dependurada pela perna. Eu não sabia muito bem o que acontecia, não imaginava que era ela, a vida, que se esvaía. Hoje em dia é bem melhor: além de ver o sangue que escorre, posso, às vezes, sentir a alma saindo dos corpos. Não via isso nas ovelhas: bicho não tem alma...





6 Comments:
CC, teu blog tá muito bom!
Além dos maravilhosos textos teus, ele está com uma organização ímpar, em que podemos conhecer tua produção ainda mais. Um trabalho muito bom de divulgação de teus escritos!
abraço grande,
Ítalo.
Grande Ítalo!
Obrigado pelas palavras, sempre carinhosas.
Abraços do amigo *CC*
Gosto deste despojamento de censuras de teu texto. Gosto de vir aqui, acordada depois de tempos escuros.
Abraço, aos poucos te leio
Cecilia
Belíssimo, CC! De fato, muito gostoso de ler.
Cecilia!
Grato pelas palavras. O BALAIO sentia tua falta.
Beijos do *CC*
Osrevni!
Obrigado, amigo!
Abraços do *CC*
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