domingo, 22 de junho de 2008

QUALQUER PALAVRA

Qualquer palavra pode ser a primeira palavra de uma história. Neste caso, já que a introdução faz parte do relato, a palavra é qualquer... dia desses dou cabo dessa merda. Ando meio morto pela vida e suas avenidas, meio que não dando ligança, mas sei o que pensam, sei o que cochicham, sei dos risinhos de canto de boca, dos meneios de cabeça, dos dedos que me apontam. Qualquer palavra pode ser a primeira palavra de uma história. Qualquer ato pode ser o primeiro ato de uma tragédia. Qualquer coceirinha na ponta do dedo pode causar o primeiro disparo. Sei de gente que dispara. Sei de gente que diz pára...
Ando meio morto pela vida e suas avenidas, meio que não dando ligança, mas digo uma coisa pro moço, pra mim não faz diferença: um coice num cusco ou um tiro na cara dum fila-da-puta desses...
Crianças me chutam as canelas, me jogam pedras, me xingam. Adultos me escorraçam, me cospem. Nem na igreja me deixam entrar: me apontam a rua.
O moço sabe por que a porta da igreja é alta desse jeito? Pra mostrar a pequeneza das gentes...
Ai que tem dias que me dá uma coceira e aí eu meto uma cangebrina nas caraminholas que se não fosse gente humana... ai que pra mim faz diferença, sim. Faz muita diferença, que eu não dou coice em cusco.

3 Comments:

Anonymous Ádlei Carvalho disse...

Cláudio, esse seu texto é um primor. Aliás, seus livros são excelentes, tanto os de poemas quanto os de narrativas.

Não me canso de ler e elogiar o seu trabalho.

Parabéns!

24 Junho, 2008 10:26  
Blogger Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Ádlei!

Você é um bom amigo. E gentil.

Grande abraço,

*CC*

24 Junho, 2008 12:58  
Anonymous Ádlei Carvalho disse...

Hehehe... Não é gentileza, é fascínio mesmo!

Abraço!

26 Junho, 2008 09:10  

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