sábado, 12 de julho de 2008

O UNIFORME

Foto: arquivo pessoal do autor

ERA uma espécie de código. Se, por aqueles dias, me mandassem pôr o uniforme eu deveria saber do esperado inevitável. Acordaram-me cedo. Indicaram-me as roupas: camisa branca, calça de tergal azul-marinho, carpins pretos e as indefectíveis congas. Depois, alguém me deu o café e conduziram-me ao necrotério. Sentei-me, ainda acordando, ao lado da mãe. Não entendia nada. Alguns colegas meus foram me abraçar. Eu era a única criança com o uniforme do grupo escolar. Era período de férias. E eu havia esquecido do código. No centro da sala, a esquife e o pai sendo velado.

6 Comments:

Anonymous Ádlei Carvalho disse...

Esse seu texto é de doer na alma. Lembro-me que essa foi a sensação que tive quando o li no seu livro.

Grande abraço.

17 Julho, 2008 10:19  
Blogger Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Ádlei!

Grande abraço, amigo.

17 Julho, 2008 12:28  
Blogger Cassiane Schmidt disse...

As lembranças temperam os sentimentos, embriagam a alma, fazem-nos escrever!

Adorei teu blogue! Volto mais aqui para revirar este balaio de letras!

Abraços

22 Julho, 2008 17:45  
Blogger Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Cassiane!

Volte, sim. Ficarei aguardando...

Beijos,

*CC*

22 Julho, 2008 18:16  
Anonymous Carlos J. Néri disse...

Esse texto parece uma faca.
Lascinante!

Adorei o seu trabalho.

=)

23 Julho, 2008 16:02  
Blogger Cláudio B. Carlos (CC) disse...

Carlos!

Obrigado.

Grande abraço,

*CC*

23 Julho, 2008 17:57  

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