ODE À CASA MATERNA (GRITO MUDO)

Ilustração: Iberê Camargo
No escuro do quarto
ouço o ruído dos meus cabelos crescendo
ouço o som de estrelas caindo no telhado
e o grito mudo – como num quadro de Iberê –
do meu espírito saindo de mim
Ouço o estalar de tábuas velhas
da casa materna
é bom estar de volta
o silêncio é tão intenso
consigo ouvir as vozes da minha infância
que ficaram guardadas aqui e eu nem lembrava
é bom estar de volta à casa materna
É bom fechar os olhos e dormir
feito criança
é chato ser adulto
que bom seria se os homens soubessem disso
e se recusassem a crescer
todos os homens
um dia
deveriam retornar à casa da mãe
nem que fosse para um cochilo rápido
Rio Pardo, RS, 15 de setembro de 1998.





10 Comments:
Lindíssimo!!!
Abraço.
Beleza!!!!
Jô
um cochilo assim
(eu preciso)
Ádlei!
Valeu!
Jô!
Obrigado pela visita.
Abraço.
Douglas!
Eu também...
Gosto e muito desse poema.
E AMO TU!
Beijos.
Cínthia!
Eta!
Oi, CC!
Os últimos versos desse poema são muito lindos! Por causa deles, pensei nas representações da "Pietà" ou "Vesperbild", no mundo alemão... A mãe no início e no fim da nossa vida, quando, enfim, saímos do colo dela para irmos definitivamente para um outro lugar...
O tempo passa, inexorável... Somos obrigados ao crescimento, à travessia... Também acho que, enquanto é tempo, devemos mesmo voltar à casa da mãe, de vez em quando, para um cochilinho...
Beijão procê!
Bianca!
Obrigado, mais uma vez, pelas visitas e comentários.
Outro procê!
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